sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Exercendo meu direito de "viajar" um pouco no dia a dia, como todo mundo...


Reflexo: Cloud Atlas e a fila.

Não sei se vocês já assistiram ao filme Cloud Atlas, dos irmãos Wachowski, lançado no ano passado... Bem, não vem ao caso uma opinião ou análise do filme em si, já que são três horas de filme, com roteiro adaptado de uma extensa obra. O caso aqui é a fila do açougue no supermercado.  Vejamos como havemos de colar as coisas... Já, já faremos isso. Antes, uma pequena narrativa verídica: estávamos, eu e uma amiga, na fila do açougue esperando nossa vez. Como a desatenção, ou o “destrambelhamento”, como dizem os mais chegados, é uma de minhas características mais marcantes, esqueci-me de pegar a senha numérica. Foi sorte minha amiga ter lembrado e, quando fui pegar a senha, um senhor fez questão de apurar-se, para pegá-la antes de mim. Este senhor com pretensões sabichonas e gesto vivaz não estava na fila, chegou assim “do nada”, pegou a senha numérica e, para demostrar o quanto se orgulhava de suas habilidades e de sua esperteza, saiu a zombar de nós duas, rindo debochadamente em nossa direção, enquanto ia se dirigindo para frente até mesmo de outros que, ali na fila, estavam esperando. Talvez ele quisesse, não apenas nos debochar, mas realmente mostrar aos demais o seu “grande feito”. Estamos quase lá, na colagem das coisas: filme e fila do açougue. Ainda tenho de chamar a atenção para um fato importantíssimo: não obstante minha desatenção, com senha ou não; estávamos esperando pacientemente nossa vez, sem que isso fosse um incômodo para nós.
Agora sim: o filme. Esta obra que pode parecer até chata para alguns (notem que são três horas de filme), enfim, é bastante eficaz em desenvolver o tema a que se propôs: trata-se de vários personagens, vidas e histórias diferentes, distribuídas ao longo do tempo (passado, presente e futuro), em lugares distantes umas das outras. O que as entrelaça são as ações dos personagens. O filme tenta mostrar como um gesto mínimo de bondade e gentileza pode mudar a história de uma vida e, por conseguinte, toda a história de um povo. Claro, não é pouca coisa! Está é a reflexão que buscamos ao relacionar estas duas narrativas: a importância de nossas atitudes. O filme trata de algo em que acredito profundamente, e esta minha pequena experiência na fila do supermercado contribuiu para reforçar meus sentimentos mais profundos com relação às atitudes humanas. Uns vão achar que é exagero, “pobre do homem, ele não tinha más intenções, etc e tal”; mas a verdade é que, naquele momento em que ele zombava de nós, eu o desprezei por seu gesto. Não por que eu tivesse pressa em comprar o bife (até porque ando fazendo dieta), mas pelo simples fato de ele não ter sido gentil. Sua grosseria o tornou grotesco a meus olhos, e não tenho nenhum receio em dizer: senti nojo de sua falta de ética. Sim, falta de ética! E, como se não bastasse, - acho que até por isso me vi lutando contra sentimentos tão ruins – este senhor ainda deve ter ido para casa com orgulho do que fez, levando seu ato como um troféu a ser contado aos amigos em forma de piada. Ele poderia ter sido carinhoso, respeitando a mim e a minha amiga. Tivesse ele sido gentil, com certeza, ficaria em minha memória com afeto, além de ter tornado nosso dia mais belo, mas ao contrário, ele acabou gerando um franzir de testa e péssimos sentimentos, o que não deixa de ser uma violência a se desdobrar dentro de nós. “Não dá p’ra tapar o sol co’a peneira”: educação, gentileza e ética são termômetros que mostram o tanto de respeito que um ser humano carrega consigo. Cabe a nós escolhermos qual a melhor atitude, o melhor gesto, a melhor palavra a ser dirigida ao próximo. Nós somos, uns para com os outros, uma responsabilidade infinita. Não saber disso gera todo o resto que vocês já sabem, basta ligar a televisão.
 Por Sally Seton.

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