sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos ... namorados. Happy Valentine's day!

Valentine’s day...

Ah... o amor! Nenhum outro dia poderia ser melhor para falar do amor do que o dia dos namorados.
Aí está, uma Uruguaiana em dia cinza e nublado, talvez com alguma chuva a espreita, este é o contexto de nosso doze de junho. O aspecto do dia ajuda, é transitório, como são muitas coisas no amor, esse sentimento mutante, coisinha estranha e difícil, talvez uma “certa maldade” como disse Marguerite Duras, guerreira ardente, louca de amor, que corajosa, muito escreveu sobre o amor e sobre o amar, sobre a falta de amor e sobre a dor que daí provém.
Sol, brisa leve, nuvem cobrindo o sol, chuva fina, vento gelado, tempestade, tufão. Simultaneamente ou de forma isolada no peito – o amor – chega assim, olhamos e queremos e cobramos e choramos e até mesmo, enlouquecemos. Deixamo-nos consumir pela necessidade do ser amado, também amante - ou não - porque somos mesmo dotados da capacidade de amar quem não nos ama, e esse movimento unilateral da alma já nos basta, é nossa razão de existir, inventamos o amor se for preciso, pois é o que faz do existir uma obrigação plausível. É essa necessidade que nos consome, que nos torna patéticos, excessivos, absolutos e vazios. Não há como evitar as antíteses e as ambigüidades, pois é daí a origem desse “ente”, mais do que simples emoção ou sentimento – ente – coisa existente, procurada, viva, incessante. O amor pode ser metafísico, mas alcança a carne, transforma a existência. Pode nos dar saúde ou nos adoecer. A carne sente, queima de desejo, levita, brilha ou apaga, enfraquece, desvanece. O amor gera, em alguns casos, uma paralisia, uma entrega submissa que de forma alguma se arrepende. Assim escreveu e cantou Robert Smith:

“Você me deixa Hipnotizado,
 Magnetizado.
As suas chamas,
são as chamas que me dão o beijo da morte”

O amor é também a morte, é um momento de morte. Morrer nos olhos do outro, presos para sempre. Um beijo pode ser apocalíptico e definitivo; pode estar num simples beijo a nossa perdição, para o sol ou para a sombra, vamos querer estar naquele beijo de amor para sempre consumidos, o tempo não existe mais, o mundo passa a ter as cores únicas permitidas por aquele beijo. Ter alguém é também pertencer, é estarmos dispostos a uma entrega que, consequentemente, nos faz também frágeis, e até, em alguns casos, somos capazes de mentir, de se esconder do ser amado. Queremos merecer, mas nem sempre temos certeza se merecemos algo tão enorme. Deve ser porque o amor não cabe dentro do peito, ultrapassa a memória e os sonhos.
Temos muito medo do amor, como temos medo de Montanha- Russa quando somos crianças. Mas queremos a Montanha-Russa, o frio na barriga, o arrepio na espinha, os pés altos do chão. Temos medo do amor porque ele nos põe alto no céu, como uma pipa, mas pode nos derrubar de repente, machucar. Temos medo, mas queremos. O amor nos faz ajoelhar no chão, feridos, sangrando e ainda assim implorando por ele. O amor nos permite uma absoluta humildade, ensina a resignação e, quando nosso coração está partido, faz com que compreendemos o fim e o recomeço. Aprendemos com ele a chorar de saudade, a morrermos entregues a solidão deixada quando quem amamos resolve partir, uma solidão como a de quem arranha as paredes de um quarto vazio até sangrarem os dedos – solidão física, dilaceramento também orgânico. Só o amor nos permite amar mais e mais. O que o torna possível é a entrega, assim mesmo, como quem se rende a um exército desconhecido. Quem não amou e não se rendeu à paixão – citando novamente Duras – nada mais pode esperar da vida.
Nada pode ensinar mais do que olhar nos olhos de alguém e dizer em silêncio: passa essa tua mão no meu rosto, me dá a tua vida através da minha boca, mesmo que minha boca seja tão pouco, deixa teu corpo para mim, que eu farei de tudo para que ele não sofra, para que ele queime... empresta tua face para que eu tenha alguma fé... e nunca me deixe, nunca desvie este olhar, para que eu não morra...
Feliz Dia dos Namorados para todos: para os que estão solitários porque o amor os deixou, pois a dor é, também, privilégio dos que amam. Parabéns para os que encontraram, agora, alguém a quem amar e estão com medo do caminho; para os que se amam já há muito tempo e conseguiram aprender juntos sobre o sol, a chuva, as tempestades e o recomeço. Parabéns para aqueles que ainda procuram, porque já estão completos por amar o amor. Parabéns para aqueles que foram justos e não mentiram quando o amor acabou... Ou quando não foram capazes de retribuir essa imensidão, pois é preciso muita coragem para machucar assim e, apesar de tudo, saber que está permitindo que o outro renasça. E que hoje seja como deve ser: dia de riso, gozo ou mesmo lágrima, contanto que valha a pena!
 Flávia Martins, Uruguaiana, 12 de junho de 2010




Um comentário:

Desinbucha! fala tudinho! põe p'ra fora! Solta... Vâmo lah!